Afastado contra a vontade por motivos de trabalho e perda de conexão, tenho aproveitado as últimas semanas para trabalhar muito, o que vai trazer algumas novidades em breve. Entre elas, uma entrevista para a TV Gazeta sobre Os Dias da Peste e talvez até algo mais, que irá ao ar no próximo dia 7 de março (aviso quando estiver mais próximo).

E na próxima sexta-feira estarei em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Vou, junto com minha amiga, Adriana Amaral, participar da banca de qualificação de Doutorado do Rodolfo Londero, co-editor do ótimo Literaturas Invísiveis. Mais tarde, estaremos com nosso amigo Wandeclayt no The Groove, num mega-evento transmídia (morra de inveja, Henry Jenkins) com lançamento de Os Dias da Peste, uma exposição fotográfica cyberpunk, e muito som post-punk, industrial, indie, brit-pop, electro, com o próprio Wandeclayt e a presença luxuosa de Lady A. nas carrapetas. Todo mundo lá!

transmission

Dias Difíceis

Não para mim especificamente, embora problemas com placa de rede tenham praticamente matado minha conexão nos últimos dias. A FC perdeu dois nomes de peso nas últimas semanas: primeiro, Kage Baker, aos 57 anos, que morreu de câncer no final de janeiro. Nunca foi publicada no Brasil, o que não surpreende. Mas suas histórias, principalmente as da Companhia, uma organização de viagens no tempo, eram ótimas, altamente recomendadas. Depois, há coisa de dois ou três dias, foi a vez de Philip Klass, mais conhecido pelo pseudônimo de William Tenn, clássico absoluto da FC mundial. Autor de dezenas de contos e apenas um romance, Tenn chegou a ser publicado em português, mas apenas pela via das histórias curtas. Vale demais a pena ler.

Há quase duas semanas, logo antes da Campus Party, fui procurado pelo Ronaldo Pelli, jornalista colaborador da ótima rede social O Livreiro, para uma entrevista sobre Os Dias da Peste. Batemos um excelente papo, desses que só são possíveis em tempos de Internet: por e-mail, claro. Ambos cariocas em São Paulo (ele de passagem para a CP, eu morando na cidade mas impossibilitado de ir ao mega-evento encontrar com ele), não conseguimos nos encontrar pessoalmente, mas acabamos trocando (muitas) ideias pela rede. Deu nesta matéria que o Ronaldo acaba de postar no blog de O Livreiro. Para quem não leu o livro ainda, tem até uma amostra grátis.

Em tempo: estou na O Livreiro com duas comunidades, Ficção Científica e Cidades Imaginárias. Ambas abertas para quem quiser entrar e bater um papo.

Dois Anos

Este definitivamente é um recorde.

Como eu havia dito exatamente um ano atrás, quando este blog colheu sua primeira flor no jardim da existência (pelo tipo de figura de linguagem já dá pra vocês terem uma ideia da minha verdadeira idade, contemporâneo de Fu Manchu que sou), até a criação do Pós-Estranho eu nunca havia conseguido deixar de lado um certo desassossego e vivia pulando de blog em blog - até abandonar a blogosfera, achava eu então, para sempre.

Hoje, mais do que nunca, estou alive and kicking. Tive uns probleminhas de saúde nestes últimos doze meses, mas agora estou bem e me cuidando - o suficiente para tocar vários projetos. Além do próprio Pós, continuo firme e forte com o Post-Weird Thoughts, meu blog em inglês para a comunidade global de ficção científica, o Eterno Provisório (o blog que criei recentemente quando tivemos nossa Crise nos Infinitos Blogs, e manterei vivo), e, last but not least, o blog sobre tradução e linguagem que fui convidado a criar no portal Tor.com. Em termos de blogs, acho que vou parar por aí. Ou não.

Enquanto me decido, traduzo obras de que gosto - e escrevo neste momento um novo romance. A produção está rendendo tanto nestas férias que bati meu recorde pessoal de leitura: emplacando hoje 32 livros lidos no mês de janeiro de 2010. Em tempo: não estou disputando com ninguém, é uma questão de superação pessoal. And I feel good.


Fechando o mês (provavelmente amanhã não blogarei, então just in case), minha lista de leituras, que eu já tinha iniciado aqui (em inglês) e aqui (em português):


1. Coraline - Neil Gaiman
2. Leite Derramado - Chico Buarque
3. Xochiquetzal - Gerson Lodi-Ribeiro
4. Liberdade Virtual - Sylvio Gonçalves
5. Jubiabá - Jorge Amado
6. The Quiet War - Paul McAuley
7. Geosynchron - David Louis Edelman
8. Bone Song - John Meaney
9. O Silêncio da Chuva - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
10. Padrões de Contato - Jorge Luiz Calife (releitura)
11. Almanaque Machado de Assis - Luiz Antonio Aguiar
12. Achados e Perdidos - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
13. Atonement - Ian McEwan
14. Vento Sudoeste - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
15. Uma Janela em Copacabana - Luiz Alfredo-Garcia-Roza
16. A Star Above it - Chad Oliver
17. Perseguido - Luiz Alfredo Garcia-Roza (releitura)
18. Espinosa Sem Saída - Luiz Alfredo Garcia-Roza
19. Na Multidão - Luiz Alfredo Garcia-Roza
20. Céu de Origamis - Luiz Alfredo Garcia-Roza
21. The Umbrella Academy - Gerard Way e Gabriel Bá
22. O Seminarista - Rubem Fonseca
23. The Children of the Company - Kage Baker
24. Cyberabad Days - Ian McDonald
25. Encruzilhada - Lucio Manfredi
26. Far From This Earth - Chad Oliver
27. Bento - André Vianco
28. Yellow Blue Tibia - Adam Roberts
29. Baronato de Shoah - José Roberto Vieira
30. Quase a Mesma Coisa - Umberto Eco
31. Gardens of the Sun - Paul McAuley
32. Memorias de Futuro - Miguel Esquirol


Obrigado mais uma vez ao Tiago Casagrande pela ajuda, paciência e IMENSA generosidade. E obrigado a todos pela audiência. Continuem por aqui. A casa é de vocês.

Durante o meu exílio forçado do Pós-Estranho, acabei criando, por sugestão do amigo Alexandre Mandarino, um blog no Squarespace. Quem me conhece bem (e mesmo quem não me conhece mas leu Os Dias da Peste) sabe que eu não sou o Cybergeist à toa: gostei do espaço e sabia o que fazer com ele, mas não sabia muito bem como.

Fui à luta; o resultado é simples mas é limpinho, e deu nisso aí: o Eterno Provisório (a ironia é óbvia, mas eu não estava buscando um grande nome, apenas algo minimamente divertido para mim). Do dia 15 ao 26 (hoje), postei o que me deu na telha, em português e em inglês, nesse blog. Foi bom enquanto durou.

Isto é, está sendo bom. Porque não vou aposentar o blog novo. Primeiro, porque nunca se sabe: confio plenamente no meu síndico e no condomínio (mas não confio na Locaweb e não sei se dá pra confiar realmente naquela velha história de colocar todos os ovos na mesma cesta). Segundo, porque a variedade é o tempero da vida (e vocês já viram que eu estou ficando velho - esse negócio de ficar escrevendo ditados populares do tempo do dom-joão-charuto é coisa de quem está com um pé na cova, mas enfim). Segundo, porque outros projetos virão e a gente vai mixando tudo, jogando a bola de um lado pro outro, espelhando um post num blog (mirrorring, vocês sabem como é), ou ampliando de um para o outro, escrevendo versões maiores e melhores, mo better blues. Tudo ao mesmo tempo agora e para sempre, here, there, everywhere.

E vamos nessa que atrás vem pressa.

1, 2, 3, testando

Depois de 14 dias fora do ar por uma falha COLOSSAL da Locaweb, estamos de volta com a programação anormal. Obrigado ao Tiagón Casagrande por não desistir e lutar bravamente por seus fiéis condôminos.

Ok, ok, eu sei que Elvis não morreu, faria 75 anos se vivo fosse, etc. etc - mas o negócio é o seguinte: hoje também é dia de cumpleaños de um sujeito que não só está realmente BEM mais vivo do que Elvis e Michael Jackson como já teve várias encarnações e todas em uma vida só. Estou falando de David Robert Jones, also known as David Bowie. Happy birthday, Mr. Bowie!

Para o gáudio de quem gosta, o clipe original de Space Oddity, gravado em 1969. Enjoy!

globalfrequencyOs últimos meses têm trazido uma série de ótimas notícias para os fãs de quadrinhos no Brasil. Além de Umbrella Academy, o Peanuts completo, Gênesis de Robert Crumb ou Jimmy Corrigan, obrigatórios, o leitor brasileiro agora terá finalmente a oportunidade de ler uma das mais importantes série de Warren Ellis, completa e na ordem: Frequência Global.

A série de doze partes será lançada em dois TPs contendo seis partes cada - o primeiro acaba de ser lançado, e tem como prefácio um paper de minha autoria sobre smart mobs, escrito e publicado originalmente em 2004, ainda sob a porrada que foi a primeira leitura desta série. Vocês podem ler uma amostra no hotsite Wildstorm Panini.

vertigoumcapaAlém de FG e Ex Machina, que pertencem ao selo Wildstorm da DC, estou traduzindo vários títulos da Vertigo: Y: O Último Homem e ZDM, que sairão em TPs periodicamente. E, para a revista Vertigo, coube a este escriba a honra de traduzir as aventuras de John Constantine: Hellblazer.

E vem mais por aí. 2010 promete ser um ano interessante. Aguardem.

Recebi um e-mail do onipresente e indefectível patrulheiro do ciberespaço Luiz Brás, avisando que acaba de sair no jornal Rascunho, de Curitiba, uma resenha de Os Dias da Peste. Resenha superbacana, que me deixa lisonjeado. Meu muito obrigado ao Luiz.

Que 2010 é o Ano em que Faremos Contato todo mundo já está careca de saber: Arthur C. Clarke celebrizou a data (por intermédio de Jorge Luiz Calife). Agora, depois que todos já achamos bastante graça (com razão) do trocadilho, a pergunta permanece no ar: contato com o quê?

O título deste post não é original: ele é tomado de empréstimo ao sensacional livro de Frederic Jameson, Archaeologies of the Future - The Desire Called Utopia and Other Science Fictions, em que ele analisa obras de autores como Philip K. Dick, Ursula LeGuin, William Gibson e Kim Stanley Robinson, numa tentativa de entender suas utopias e distopias.

E, para os que curtem cultura pop, vale a menção à clássica história Um Sonho de Mil Gatos, publicada na edição número 18 de Sandman, onde o sempre genial Neil Gaiman conta a história de como um sonho sonhado por muitos pode se tornar (literalmente) realidade.

(Por coincidência (ou não), uma das frases célebres de Dom Hélder Câmara era justamente a seguinte: "Quando sonhamos sozinhos é só um sonho; mas quando sonhamos juntos é o início de uma nova realidade". Isto poderia até ser interpretado como um pensamento simplório pelos idiotas da objetividade, mas nós que sonhamos sabemos que o buraco - Alice que o diga - é sempre bem mais embaixo.)

Meu trabalho de escavação já começou há algum tempo - não o alardeei porque 2009, apesar de ter sido um dos meus anos mais produtivos, também foi um ano de dor (física) e perdas (mortes na família). Outras coisas também foram acontecendo ao longo do ano: alegrias e tristezas, surpresas e decepções, enfim, isto a que chamamos de vida.

A vida quase me fez acabar com este blog. Por nenhum motivo em especial: apenas porque em um determinado momento senti necessidade de calar. De fazer silêncio. Estudei muito Wittgenstein em 2009, e acho que só agora entendi o significado (acho, faço questão de reiterar; com os filósofos nunca se deve ter certeza de nada) da última tese do Tractatus: Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar.

Houve quem entendesse esse silêncio e esse afastamento como um descaso; houve quem levasse para o lado pessoal. Não foi uma coisa nem outra. 2008 foi um ano de (re)criação e realizações; 2009 foi um ano que começou com mais realizações e terminou com um projeto realizado (o romance Os Dias da Peste) e vários outros projetos em aberto, em gestação. Aos poucos, projetos antigos foram abandonados. Projetos mais recentes continuam sendo pensados e planejados - e quanto aos projetos futuros, quem sabe? Todas as portas estão abertas. Por paradoxal que possa parecer, gosto de comparar o Futuro à antiga cidade egípcia de Tebas, com suas Cem Portas sempre abertas. Todas as possibilidades estão ali, à espera. Fechando (como abri) com Arthur C. Clarke em 2010, "todos estes mundos são seus".

Mas, como na 2010 da ficção, também havia uma exceção. A exceção do livro era o ex-satélite joviano Europa. A exceção do nosso 2010 real é o Passado. Este está fechado para sempre.

Este é o meu desejo para 2010. Que o futuro esteja sempre aberto para todos nós.

Ontem tive uma surpresa agradável: Ivan Hegenberg me mandou um e-mail para tirar uma dúvida sobre um personagem de Os Dias da Peste. Pouco depois de tirada a dúvida, lá estava no blog dele: a resenha mais completa de meu romance até o momento, com direito a fragmentos de uma quase-entrevista - na verdade recuerdos do papo ótimo que batemos no dia do lançamento do livro, dia 13 de novembro, no Bardo Batata (a memória do Ivan é de envergonhar Funes, o Memorioso). A análise dos personagens e, inclusive, das possíveis intenções do autor, é interessantíssima. Leiam urgentemente. Meu obrigado ao Ivan pela ótima e deliciosa resenha.

Num corre-corre danado - finalizando correções de trabalhos dos alunos, saindo agora há pouco de uma ótima palestra para as turmas do curso de Jogos Digitais da PUC-SP e fazendo um pit-stop aqui para este post antes de partir para o aeroporto rumo a Belo Horizonte e o lançamento mineiro de Os Dias da Peste, sô. Mais detalhes? No banner aí embaixo ocê encontra, uai.

Convite - Evento - Café com Letras

A coletânea Steampunk, publicada pela Tarja Editorial este ano e contendo contos de vários autores, entre eles este que vos digita e Jacques Barcia, está correndo mundo e atraindo a atenção de muita gente boa. Via Romeu Martins, recebo a informação de que ela foi catalogada num site especializado, a Steampunkopedia.

E, via Lavie Tidhar, escritor israelense (e editor da excelente coletânea Apex Book of World SF - mais informações aqui), publicou hoje um highlight sobre a coletânea no The World SF News Blog, especializado em publicar notícias sobre FC mundial. Carvão na caldeira, rapaziada, porque público (tanto aqui quanto lá fora) tem!

Hoje tem - e não só o segundo lançamento de Os Dias da Peste. Para quem gosta de futebol (e depois desta penúltima rodada do Brasileirão, senhoras e senhoras, até eu tirei minha camisa do Fluminense do repouso criogênico e voltei a usá-la com orgulho), haverá o lançamento do documentário em DVD Telê Santana: Meio Século de Futebol e Arte, no estádio do Morumbi. Tomo a liberdade de reproduzir o convite aqui embora seja um evento fechado:

doctele

Fui convidado por um motivo muito especial: Tele Santana era meu tio. Infelizmente não o vi jogar no escrete do Fluminense (embora eu tenha conhecido parte do time original, como Píndaro e Orlando "Pingo de Ouro"), mas se meu pai já era Fluminense (Telê se casou com a irmã de minha mãe) nossa casa ficou ainda mais tricolor. Quando nasci, Telê já estava quase deixando o futebol. Conheci de perto o Telê técnico - um sujeito engraçado, contador de piadas, às vezes irritante em seu perfeccionismo mas que dificilmente errava e sabia disso (para os mais jovens que não conheceram a figura: imaginem um House mineiro). Ah, e jogava pingue-pongue bem pra cacete, nunca consegui vencer o cara. (Ele me dizia que era uma das poucas coisas que tinham para fazer nas concentrações antes dos jogos - vai daí, ele virou quase campeão olímpico em outro esporte.)

Há alguns meses, na casa de minha tia, conheci Ana Carla Portella e Danielle Rosa, que batalharam anos para fazer e lançar esse documentário. Quem quiser conhecê-las melhor e saber um pouco mais sobre a luta delas e ver trechos do filme pode visitar o blog delas.

Embora eu infelizmente não possa estar lá (a vida tem dessas coisas, a gente passa inúmeras segundas-feiras sem ter o que fazer e de repente o lançamento do nosso próprio livro tromba com um evento dessa magnitude), faço questão de divulgar, porque em breve o DVD estará à venda, e vale a pena.

Mas enquanto o DVD não sai, comprem o livro. Hoje, com presença do autor, na Martins Fontes.


Convite - Dias da Peste - Martins Fontes

Para quem não pôde ir no lançamento de Os Dias da Peste em 13 de novembro, a hora é agora, o momento é já: o segundo lançamento será no próximo dia 30, segunda-feira, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, e haverá um bate-papo comigo e com o Prof. João de Fernandes Teixeira, que além de ser a maior autoridade em Inteligência Artificial da América Latina é um sujeito sensacional. Venham bater um papo conosco lá.


Convite - Dias da Peste - Martins Fontes



Pós-estranho

  • escrever dói
    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
  • foto: Pisco del Gaiso


  • assine o feed assine o feed

Outros tempos,
outros mundos

Interface com o Vampiro

A Construção do Imaginário Cyber - William Gibson, Criador da Cibercultura

Blablablogue

Wild Mood Swings

Imagem do banner

  • "Mão", colagem digital de Aurora Barbosa


Verbeatblogs.org

Partners in crime

  • Add to Technorati Favorites
  • eXTReMe Tracker