<?xml version="1.0" encoding="iso-8859-1"?>
<rss version="2.0">
<channel>
<title>Schizo-blogg</title>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/</link>
<description></description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2005</copyright>
<lastBuildDate>Fri, 24 Jun 2005 16:20:34 -0300</lastBuildDate>
<generator>http://www.movabletype.org/?v=3.2</generator>
<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs> 

<item>
<title>o singular e o universal</title>
<description><![CDATA[<p>  o sujeito é um universal concreto, onde o seu ser se funda nas marcas singulares que o sustentem e que se revelam imediatamente no seu estilo de existência.</p>

<p>Joel Birman</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/o_singular_e_o.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/o_singular_e_o.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 16:20:34 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>notas sobre a revolução</title>
<description><![CDATA[<p>  Hoje está na moda denunciar os horrores da revolução. Nem mesmo é novidade, todo o romantismo inglês está repleto de uma reflexão sobre Crowell muito análoga àquela que hoje se faz sobre Stalin. Diz-se que as revoluções tem um mal futuro. Mas não param de misturar duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. Nem se sequer são as mesmas pessoas nos dois casos. A única oportunidade dos homens está no devir revolucionário, o único que pode conjurar a vergonha ou responder ao intolerável.</p>

<p>Deleuze apud Slavoj Zizek</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/notas_sobre_a_r.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/notas_sobre_a_r.html</guid>
<category>Marxismo</category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 16:12:59 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>o arqueologista</title>
<description><![CDATA[<p>   Basta que o ódio esteja suficientemente vivo para que dele se possa tirar alguma coisa, uma grande alegria, não de ambivalência, não a alegria de odiar, mas a alegria de querer destruir aquilo que mutila a viva.</p>

<p>Deleuze sobre Foucault</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/o_arqueologista.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/o_arqueologista.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 16:09:08 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Download file</title>
<description><![CDATA[<p><a href="http://www.verbeat.com.br/blogs/schizoblogg/arquivos/Quadrinhos.doc">Download file</a></p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/download_file.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/download_file.html</guid>
<category></category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 11:34:54 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Punk Rock Situacionista</title>
<description><![CDATA[<p>Depois dos Refused que, assinaram com "The Shape Of Punk To Come", um dos mais interessantes discos punk europeus dos anos 90, Denis Luxzen formou os The (International) Noise Conspiracy. Apostados em destruir o mundo em nome do rock e munidos de artilharia cultural do calibre de Debord, Chomsky ou do som dos MC5, são uma das mais emotivas bandas do momento. <br />
 <br />
No video de "New Noise", dos Refused, quatro cavalheiros vestidos como se tivessem saido de uma tertúlia da Internacional Situacionista ou dos turbulentos tempos do Maio de 68, saltam, dão pontapés no ar e atiram-se furiosamente à música. Nas imagens que acompanham "Smash It Up" dos T(I)NC, cinco personagesn de impecáveis fatos claros gingam ao som de uma canção virulenta e caótica. A imagem é tão importante como a música e as palavras permitindo uma empatia imediata entre a violência do discurso e a atitude do grupo. Esse cuidado estende-se ao booklet de "Survival Sickness" onde são descritas as ideias por trás de cada canção e apresentados os vários elementos que servem de manifesto ao grupo. </p>

<p>Se, a nível sonoro os T(I)NC se situam muito próximos da linha de Detroit, a sua combinação de rock, subversão cultural e vontade de mudar o mundo (em nome do rock e da revolução) está próxima da dos Manic Street Preachers. Se os galeses juntaram ao punk a pose glam e as canções em forma de hino bem ao jeito do hard rock FM, os Suecos continuaram a linha punk rock clássica dos MC5. Ambas as bandas tem Guy Debord e Noam Chomsky como velhos companheiros de viagem. Os slogans de "Smash It Up" são parecidos com os que surgem em "You Love Us", "Revolt" ou "A Design For Life". Uns chegaram ao primeiro lugar do top inglês com uma canção que abre com uma citação de Chomsky, ou outros permanecem, por ora, confinados a um universo mais restrito. Mas não é por isso que a sua força é menor. Muito pelo contrário. "Survival Sickness" é um disco armadilhado de canções apontadas para o amâgo do sistema capitalista. As palavras e as idéias, próprias e as deturnadas - esse utilizar de ideias expressas por outros fora do seu contexto original ou como parte da nossa própria arte é outra herança situacionista - são servidas embrulhadas numa manta sonora certeira que não deixa tempo para suspiros ou reticências. Tudo é direto e atirado à cara de quem ouve. Não sendo um disco punk ao nível sonoro de uns Sex Pistols ou Dead Kennedys, "Survival Sickness" é tão "in your face" como "Never Mind The Bullocks" ou "Bed Times For Democracy". </p>

<p></p>

<p>Num mundo, como o definiu Debord, em que todos somos parte da Sociedade do Espectáculo, os T(I)NC são um dos seus membros mais críticos. Mas como ser-se uma prostituta cultural é o que está reservado a todos que tornam o seu trabalho público, à banda só resta continuar a ser uma puta de luxo. </p>

<p>(Mondo Bizarre # 4) </p>

<p><br />
Fonte: Revista Mondo Bizarre (www.mondobizarre.com). </p>

<p>Visite o site oficial da banda : http://alt.digitalfarmers.com/tinc/ .</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/punk_rock_situa.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/punk_rock_situa.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 10:00:27 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>pequena discordância</title>
<description><![CDATA[<p><br />
 Que fique registrado, concordo com quase tudo que o Emir Sader escreveu menos seu comentário sobre Foucault, no qual demonstra a sua ignorância teórica em relação a este.<br />
 No mais, caminhamos juntos.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/pequena_discord.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/pequena_discord.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 09:31:18 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Corrupção, esquerda e direita</title>
<description><![CDATA[<p>Por Emir Sader<br />
23/06/2005</p>

<p><strong>A direita afirma que, diante da corrupção, direita e esquerda desapareceriam.</strong> A polarização seria entre honestos e corruptos. A luta da esquerda contra a corrupção, ao contrário, não abole direita e esquerda. Quem reduz a luta política à luta contra a corrupção é de direita. Ou a esquerda se livra desse tipo de prática ou contribui à alienação do povo.</p>

<p>A direita se deleita em afirmar que, como o PT está envolvido em corrupção, tudo é possível, nada é melhor, tudo é igual. Podem perpetuar suas práticas, porque estariam na natureza da política. Mas principalmente se deleita em afirmar que, diante do supremo crime da corrupção, direita e esquerda desapareceriam. A polarização seria entre honestos e corruptos. Bastaria eliminar os corruptos - ou aqueles pegos em flagrante -, fazer reforma política, tomar algumas medidas contra nomeações dos governos e pronto. O saneamento permitiria que tudo seguisse como antes: os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais abandonados, os poderosos cada vez com mais poder, os humilhados e ofendidos,sem esperança que não a religião. "A vida para os fortes/ para os fracos a morte: e é bom que seja assim" - como diz o personagem de Brecht.</p>

<p><br />
Collor roubava porque era cleptomaníaco, porque os filhos das oligarquias nordestinas criados em Brasília não respeitam os bens alheios. PC Farias fazia o trabalho sujo, porque sempre foi um mafioso. Já a privataria do governo FHC - a maior roubalheira da história brasileira - foi feita toda dentro da lei - para isso se comprou sistematicamente a maioria do Congresso, tudo dentro da lei, contando com a mídia, porque era por uma "boa causa": a privatização. Parodiando o secretário de Estado dos Estados Unidos: "são corruptos, mas são nossos corruptos". Afinal, o governo Bush definiu, com Posada Carriles, que há "bons e maus terroristas", os "nossos e os deles".</p>

<p><br />
A direita tenta despolitizar a política, tratando a corrupção como uma tentação da natureza humana. O máximo que se poderia fazer seria limitar os riscos, com leis, polícia, controle da imprensa (o terceiro poder que, como diria o Stanislaw, passou rapidamente para segundo). É o que prega o liberalismo, assim como as teorias foucaultianas, para as quais em toda relação humana há poder, dominação, corrupção de caráter.</p>

<p><br />
Para a esquerda, a corrupção significa um crime muito mais grave. Significa apropriação privada de bens públicos. Significa privatização do Estado, desvio de impostos arrecadados da massa da população para mãos privadas. Significa desideologizar a política, estabelecendo-se acordos em base a vantagens materiais. Significa sobretudo desviar recursos que deveriam ser canalizados para afirmar direitos do conjunto da população para vantagens pessoais.</p>

<p><br />
É, portanto, para a esquerda, muito mais do que simplesmente um crime pessoal. É um crime político. E quando é praticado pela esquerda, se torna ainda mais indesculpável, porque a iguala à direita, porque favorece a desqualificação da esquerda, porque desvia as atenções dos maiores problemas do país para um problema de corrupção. E porque se trata de políticos identificados com a esquerda apropriando-se de recursos públicos para objetivos privados.</p>

<p><br />
Um objetivo central da esquerda é a recuperação da política como atividade emancipatória, de construção da polis, da res publica, da esfera pública, dos bens comuns. O socialismo pode ser definido como a socialização dos bens materiais e espirituais, como a reconstrução da sociedade centrada na esfera pública.</p>

<p><br />
Essa luta inclui o resgate da militância política, da militância revolucionária, dessa atividade dedicada e desinteressada, de luta pelos ideais da humanidade, dos trabalhadores, da construção de uma sociedade sem classes e sem Estado, sem exploração, nem discriminação, nem opressão, nem alienação. Da militância como atividade ética, não remunerada, de entrega aos valores de luta pela emancipação de todos, pelos interesses dos mais pobres, dos mais humildes, dos humilhados e ofendidos.</p>

<p><br />
Do resgate da política e da militância como algo totalmente oposto a essa mercantilização da política, das campanhas eleitorais, dos partidos, da mídia. A luta contra a corrupção é também a luta contra a corrupção dos valores da esquerda, rebaixados a um realismo tão rasteiro que já não têm mais nada de esquerda, de luta pela emancipação. Ao contrário, reproduzem e multiplicam a alienação, a opressão, a exploração.</p>

<p><br />
A luta da esquerda contra a corrupção não abole a direita e a esquerda. Ao contrário, recoloca a luta entre direita e esquerda em outro patamar. Quem quer abolir direita e esquerda é de direita. Quem reduz a luta política à luta contra a corrupção é de direita. E quem reproduz a corrupção e a privatização da política não é de esquerda: é de direita.</p>

<p><br />
Ou a esquerda se livra desse tipo de prática e desse tipo de gente ou contribui à alienação do povo e acaba por atentar contra os ideais de emancipação - os que deram origem à esquerda e justificam sua existência, assim como os da militância e da prática política revolucionária.</p>

<p><strong>Emir Sader</strong>, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de "A vingança da História".</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/corrupcao_esque.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/corrupcao_esque.html</guid>
<category>Marxismo</category>
<pubDate>Fri, 24 Jun 2005 09:25:54 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>não tem ninguém pra dar um teco?</title>
<description><![CDATA[<p> </p>

<p> Leandro Konder </p>

<p><br />
 <br />
Desde que surgiu, no final do século 19, o marxismo despertou forte repulsa em alguns setores e grande entusiasmo em outros. Entre os que foram tomados por intensa admiração pela construção teórica feita pelos discípulos de Marx, houve óbvios exageros, exaltações desmesuradas, leituras fanáticas. Entre os adversários do filósofo socialista alemão, por outro lado, manifestaram-se impulsos furiosos, rancores drásticos e até fantasias homicidas (do tipo: ''Não tem ninguém pra dar um teco entre os olhos desse delinquente?''). Me lembro de ter ouvido uma vez uma pessoa usar essa palavra, há muitos anos, rindo (ambiguamente), mas deixando transparecer uma irritação verdadeira contra o teórico incitador de greves. <br />
O ''delinquente'' era, no caso, o pensador que formulara, com espírito polêmico e inegável originalidade, uma concepção do homem (o sujeito da práxis), uma concepção da história, uma teoria da luta de classes, uma teoria da revolução proletária abrindo caminho para o comunismo (por meio da ditadura do proletariado). Coube-lhe, também, desenvolver um conceito de ideologia que modificou substancialmente o panorama constituido pelas teorias do conhecimento. </p>

<p>Atualmente, está se desencadeando uma nova campanha contra o mesmo Marx, cuja filosofia insiste em sobreviver. Na impossibilidade de dar-lhe ''um teco'' (desde 1883, ele está enterrado no cemitério de Highgate, em Londres), seus desafetos mais renitentes vinham se dedicando a dinamitar a estátua erigida sobre o seu túmulo. Agora, contudo, surgiu um novo filão, mais compensador: aumenta a cada dia o número dos críticos antimarxistas que admitem que, na realidade, o ''delinquente'' não tinha morrido em 1883, porque algo dele havia sobrevivido no pensamento e na ação dos movimentos comunistas vinculados a Moscou, Pequim ou Cuba. </p>

<p>O fim da União Soviética, a guinada da China no plano político-econômico e o isolamento de Cuba é que - definitivamente - liquidaram Marx. A derrubada do Muro de Berlim foi, por assim dizer, seu atestado de óbito. Essa conclusão peremptória é proclamada para enfatizar a necessidade do abandono do marxismo como matéria de estudo. Recomenda-se não perder tempo com cadáveres. </p>

<p>Se houvesse fundamento nas análises da extrema direita, e houvesse procedência na sua caracterização de ''perda de tempo'' para os estudos dedicados às tensões internas do marxismo, a confirmação desse diagnóstico grave deveria vir, necessariamente, numa evidente queda de nível da literatura voltada para esse tema: os textos que insistem em pensar e repensar aspectos da história e da teoria política do marxismo deveriam estar saindo em menor quantidade e com qualidade inferior. </p>

<p>O que temos visto nestes últimos anos, entretanto, não confirma a desqualificação que poderia conferir alguma credibilidade à crítica dos conservadores enraivecidos. A editora Contraponto lançou um livro ''clássico'' sobre O capital de Marx: o ensaio ''Gênese e estrutura de 'O capital' de Marx'', de Roman Rosdolsky. E está lançando O princípio esperança, do famoso marxista alemão Ernst Bloch. A editora Xamã publicou uma excelente coletânea de dois autores lúcidos e combativos: Marxismo, modernidade e utopia, de Michael Löwy e Daniel Bensaid. Pela Record saiu outra coletânea, organizada por Denis de Moraes, abordando os problemas da condição dos intelectuais no mundo atual. </p>

<p>E mais: a Paz e Terra publicou Para ler Raymond Williams, ótima introdução à obra do importante marxista inglês, preparada por Maria Elisa Cevasco. A editora da UFRJ acaba de publicar um belo estudo do marxista francês Jacques Texier sobre Revolução e democracia em Marx e Engels. A editora da UNESP, por sua vez, já havia lançado Hegel, Marx e a tradição liberal, do marxista italiano Domenico Losurdo, que vem submetendo as teorias liberais a críticas muito instigantes. As duas editoras universitárias que acabamos de mencionar se uniram para publicar outro livro de Losurdo: Democracia ou bonapartismo. </p>

<p>E a lista continua: a editora Boitempo está lançando o livro que Michael Löwy escreveu sobre as teses de filosofia da história, que Walter Benjamin ditou para sua irmã pouco antes de morrer. Vai lançar também o estudo sobre Kafka, que Löwy publicou há pouco na França. E está anunciando novos volumes com textos do marxista peruano José Carlos Mariátegui, do filósofo marxista húngaro Georg Lukács e de diversos outros. </p>

<p>A crise em que se debatem os marxistas não os tem esterilizado. O marxismo entrou no século 21 bastante machucado, mas ainda lhe resta uma impressionante vitalidade. A relação das obras publicadas sugere um interesse do público pelas idéias cujas raízes remontam ao velho Marx. Não é uma lista completa, não pude fazer um levantamento minucioso, devo ter incorrido em omissões, cometido injustiças. Não falei, por exemplo, na nova edição dos Cadernos do cárcere, de Gramsci, preparada por Carlos Nelson Coutinho para a editora Civilização Brasileira (tradução feita pelo próprio Coutinho e por Luiz Sérgio Henriques e, em parte, também por Marco Aurélio Nogueira). </p>

<p>Não falei nas traduções de Marcelo Backes para A sagrada família, de Marx e Engels, e de Jesus Ranieri para Os manuscritos econômico-filosóficos de 1844, de Marx, editora Boitempo. </p>

<p>Poderia ter dito algo sobre a revista Praga, que ao longo dos anos 90 divulgou trabalhos de inspiração maxista, escritos por autores nacionais ou estrangeiros (editora Hucitec). E deveria certamente ter falado da revista Margem Esquerda, que nestes últimos três anos vem polemizando com firmeza contra a direita. </p>

<p>Deixei de lado indícios significativos de que também na área acadêmica poderiam ser encontrados muitos trabalhos que não foram transformados em livros e não circularam fora das universidades, porém propuseram questões teóricas dignas de discussão. </p>

<p>De qualquer modo, peço desculpas aos leitores pelo longo elenco de nomes e de títulos. Minha intenção foi a de constatar que, mais uma vez, Marx está sobrevivendo. O ''delinquente'' está mostrando tamanha desenvoltura que dificilmente a direita vai conseguir manter a idéia de que ele morreu. Como suportar o ''abuso'' dessa ''ressurreição''? Imagino que em breve os fanáticos da ordem estarão de novo se perguntando: ''Não tem ninguém pra dar um teco... ?''</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/nao_tem_ninguem.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/nao_tem_ninguem.html</guid>
<category>Marxismo</category>
<pubDate>Thu, 23 Jun 2005 09:45:27 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>!!!!</title>
<description><![CDATA[<p>Enfim... o Inverno. Nada como um friozinho depois de 11 meses de verão. Vou aproveitar, pois não sei se no próximo ano teremos de novo!</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/post_5.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/post_5.html</guid>
<category>Ridiculus World</category>
<pubDate>Tue, 21 Jun 2005 11:42:02 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>..............</title>
<description><![CDATA[<p>A maioria de nós está submersa em um transe hipnótico que remota aos <br />
primeiros anos. Permanecemos nesse estado até que, de súbito, despertamos e descobrimos que nunca vivemos ou que vivemos induzidos por outros que, por sua vez, foram induzidos por outros. A ideologia é subterrânea. Tudo é como um profundo mal-entendido. Se despertamos de súbito, ficamos loucos. Se despertamos pouco a pouco, nos fazemos inevitavelmente revolucionários em algumas de suas múltiplas formas e então tentamos modificar destinos. Se não despertamos nunca, somos gente normal e não prejudicamos ninguém. </p>

<p>Pavlovsky (citado por Fenrnández, 1987).</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/post_4.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/post_4.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Fri, 17 Jun 2005 12:31:44 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>pequenas considerações sobre o economicismo cotidiano</title>
<description><![CDATA[<p>“A verdade fundamental do universo capitalista, utilitário e desespiritualizado é a desmaterialização da própria “vida real”, sendo seu contrário um show espectral”.<br />
 Slavoj Zizek </p>

<p>   <br />
   Nas ultimas três décadas, com a revolução científico-tecnológica e a implantação do regime neoliberal de produção, baseado na desregulamentação estatal e flexibilização dos meios de produção, além de uma supervalorização da informação como produto diferenciador e estratégico na produção e circulação global de produtos, serviços e capital financeiro, ocorreu um processo de mercantilização acentuado de quase todas as esferas sociais (cultura, educação, política, ciência etc.).  Esse processo teve sua origem, de forma bastante simplificada, na crise do Estado de Bem Estar e também na falência do modelo fordista de regulação do mundo do trabalho. <br />
   <br />
   Desse quadro superficialmente desenhado acima, resulta uma forma de organização social (o neoliberalismo vivido individual e socialmente) que privilegia o sujeito social-consumidor ou cidadão-consumidor, no qual sua integração ou exclusão ao sistema não se dá apenas pela dualidade empregado/desempregado tal qual se propunha o modelo fordista, mas também, pelo binômio consumidor (integrado)/não consumidor (excluído). Não basta mais ao trabalhador (em suas diferentes formas de trabalho) vender o seu trabalho e alienar o resultado deste, também é necessário avançar (segundo a ótica neoliberal de gestão) em relação ao modelo de consumo idealizado por Ford, passando para um modelo radical de consumo/desperdício, isto é, para um modelo de produção baseado de forma profunda nos pressupostos da obsolência planejada (Marcuse), da submissão subjetiva total do trabalhador/consumidor aos imperativos da ideologia do “fim da história”, da taxa decrescente do valor de uso da mercadoria (Mészáros) e da amplificação extrema da capacidade desejante do indivíduo-consumidor com intuito de que ele nunca atinja o grau de satisfação necessário a esse mesmo desejo (ou que esse, ao ser satisfeito, não dure mais que breves instantes). Assim, o indivíduo-social, acaba sempre voltando a “dialogar” com o seu analista (o mercado), deitando no seu divã (o shopping-center) e tomando o seu antidepressivo (o ato de consumir propriamente dito).<br />
   <br />
   De trinta anos pra cá, o que se viu foi à exacerbação do império da estética da mercadoria, penetrando em todos os poros da sociedade. Religião, cultura, política, amizade, amor, etc., quase nada escapa ao sistema totalizante do onipresente Deus Mercado. Amparo-me aqui numa citação bastante interessante de Dominique Leroy e que acredito, vá ao encontro do que estou tentando dizer: “Na fase atual de capitalismo avançado, a estética é desviada, absorvida ou negada e se inscreve num movimento de instrumentalização da Cultura que implica na padronização exacerbada e no empobrecimento do sentido veiculado pelas mercadorias culturais. Numa economia cada vez mais mediatizada como a nossa, o novo sistema de diferenciação faz com que a inovação e o “marketing” estejam cada vez mais relacionados à tecnologia e à imagem midiáticas, e se relacionam cada vez menos à estética do produto ou do serviço”. <br />
   <br />
    A questão que coloco é: para que esse processo acima descrito fosse implantando com tanto sucesso, não foi necessário que houvesse uma colonização profunda, por parte da esfera produtiva, nas relações socioculturais mais particulares de cada indivíduo ou da(s) sociedade(s) (a forma mercadoria como diretriz da práxis e da linguagem social)? Isto é, não vivemos um (quase?) totalitarismo do Capital disfarçado falsamente de liberdade de escolha, construído através da hegemonia razão instrumental (a tecnociência enquanto ideologia), pilar de sustentação do “mundo-mercadoria”, sobre quaisquer formas de reflexão crítica? Ou, colocando de forma mais direta: não vivemos num mundo em que o economicismo, em vez de um pressuposto analítico é a própria manifestação da realidade sob o domínio do Capital?<br />
_U1</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/pequenas_consid.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/pequenas_consid.html</guid>
<category>Marxismo</category>
<pubDate>Fri, 17 Jun 2005 09:27:24 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>sociólogo vê tentativa de golpe do PSDB</title>
<description><![CDATA[<p></p>

<p>Em entrevista à revista Carta Capital desta semana, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos analisou o que tem percebido como uma tentativa de “golpe branco” contra o governo Lula, articulado entre a oposição e a imprensa. Santos é um dos mais renomados intelectuais brasileiros, tendo prenunciado o golpe militar contra o presidente João Goulart, em 1964, em seu livro Quem Vai Dar o Golpe no Brasil. </p>

<p> </p>

<p>Considerando o “currículo” do deputado Roberto Jefferson, Santos afirma que não haveria motivo para dar credibilidade às acusações. Portanto, a tentativa de caracterizar uma crise política seria o principal motivo na agenda da oposição e da imprensa, desencadeada agora pela denúncia de corrupção nos Correios. “Desde janeiro de 2003 temos tido sucessivas rodadas de denúncias nos jornais acompanhadas de seguidas pesquisas indicando que, no entanto, a imagem do presidente não era afetada. Isso tem sido desesperador para a grande imprensa”, pondera o sociólogo. Ele acrescenta que, há dois anos e meio, a imprensa tentava “botar Lula debaixo de sua pauta. Conseguiu agora”.</p>

<p> </p>

<p>No cerne intelectual desta estratégia estaria o PSDB de José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso. “O PSDB sabe que, com mais dois anos de governo, como vinha até agora, ele levaria uma surra em 2006”, avalia. O cientista político considera o governo tão bem-sucedido que os tucanos têm que apoiar uma instabilização “com base em nada” para ter chances de derrotá-lo no próximo ano. “Se fosse um governo inepto, como se apregoa, o PSDB deixaria Lula em paz e o derrotaria facilmente no ano que vem”, completou. Santos ressalta que não acredita que os tucanos queiram promover o impedimento de Lula. “Mas, se houver a possibilidade, não recuarão”. </p>

<p> </p>

<p>Forças desarmadas<br />
Para o cientista político, assim como eram as Forças Armadas, a imprensa é a maior corporação existente hoje no país, “com um poder infernal”, aliada a uma “oposição musculosa, como não havia, por exemplo, no governo Fernando Henrique”. Santos diz que a acusação de que o PT pagaria mesada a deputados não teria provocado grandes marés durante o governo Fernando Henrique. “Isso se disse à vontade do Sérgio Motta em situação muito mais complicada, que foi o processo de aprovação da reeleição. E não aconteceu nada porque a oposição não tinha capacidade de fazer acontecer, não tinha grandes políticos querendo fazer acontecer e não tinha a imprensa querendo fazer acontecer”, lembrou.</p>

<p>Santos compara o poder da imprensa ao papel que as Forças Armadas tinham antes do fim do regime militar. Ele ilustra com a imagem do flagrante de um militar num ato criminoso, que era considerado uma “ofensa às Forças Armadas” e intimidava toda a sociedade. Se alguém acusa o jornalista de fazer “uma barbaridade”, os grandes jornais alertam para a “ameaça à liberdade de imprensa”. </p>

<p> </p>

<p>Santos diz que a imprensa, em países em desenvolvimento, é a grande responsável pela fragilização das instituições, e cita o comportamento jornalístico que, “baseado em nada”, levou Getúlio Vargas ao suicídio, quase impediu Juscelino Kubitschek de tomar posse, levou Jânio Quadros à renúncia, e tentou impedir a posse de João Goulart. “A democracia em países em desenvolvimento só fica efetivamente consolidada quando dispensar a imprensa, quando o que a imprensa quiser for irrelevante para a estabilidade do governo”, falou.</p>

<p> </p>

<p>Adauto Melo</p>

<p> </p>

<p>Leia a íntegra da entrevista da revista Carta Capital.</p>

<p></p>

<p>Por Maurício Dias</p>

<p>O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos é um dos mais renomados e respeitados acadêmicos do País. Na extensa lista de trabalhos publicados por ele, um, especialmente, virou referência bibliográfica. No calor das lutas políticas do início dos anos 60, ele escreveu um livro – Quem Vai Dar o Golpe no Brasil – que prenunciou a derrubada do presidente Goulart em 1964. Ele farejou o golpe militar. </p>

<p> <br />
Opinião.<br />
"No governo tucano, a denúncia do mensalão não teria provocado grandes marés" <br />
O fantasma dos militares não existe, mas nas últimas colunas que escreve para o jornal Valor Econômico, publicadas às quintas-feiras, ele farejou um “golpe branco” contra Lula no movimento da oposição e, principalmente, do PSDB. Pró-reitor da Universidade Candido Mendes, Wanderley Guilherme dos Santos chegou a ironizar os tucanos, resgatando a imagem de Carlos Lacerda, um político que andava sempre com uma proposta de golpe na cabeça: “O lacerdismo mudou-se para São Paulo”, escreveu, após pensar sobre a frase do ex-presidente Fernando Henrique de que havia uma “crise institucional” no País. </p>

<p>Nesta entrevista a CartaCapital, ele explica a crise pela missão político-eleitoral dos tucanos de algemar o governo para enfraquecer a candidatura Lula em 2006. Diz que, para alcançar esse objetivo, o PSDB chegou a pensar em um “golpe branco”, o impeachment, a partir das denúncias de corrupção. Mas recuou. Acredita que o partido não promoverá a iniciativa, mas, se ela surgir, apoiará. Ou seja, se o cavalo passar arriado, o ex-presidente Fernando Henrique montaria. </p>

<p>CartaCapital: Há uma crise política grave neste momento? <br />
Wanderley Guilherme dos Santos: A palavra crise entrou no vocabulário diário da política desde janeiro de 2003. Falou-se de crise todos os dias. Agora, sim, há uma crise política. É uma crise importante. Mas é uma crise normal em sistemas democráticos funcionando, operando. Quer dizer, democracia com uma oposição musculosa como não havia, por exemplo, no governo Fernando Henrique. </p>

<p>CC: Oposição mais forte... <br />
WGS: Agora tem. Não tinha imprensa contra, agora tem. Vivemos um período democraticamente muito mais vivo do que no governo passado. A oposição agora é uma oposição forte. Tem capacidade de agitar e criar problemas e de interferir na agenda política. Por conseqüência, a maioria da imprensa está com a oposição. </p>

<p>CC: O PT, na oposição, não tinha essa força? <br />
WGS: De maneira nenhuma. O PT mobilizava, no máximo, 140 deputados durante todo o período. Se o PT tivesse o poder oposicionista que tem hoje a oposição a Lula, o então presidente Fernando Henrique Cardoso não teria aprovado 21 emendas constitucionais. </p>

<p>CC: O senhor quer dizer que a imprensa não oferecia aos petistas a receptividade que oferece agora à oposição tucano-pefelista? <br />
WGS: Não havia essa simpatia. Isso dá uma outra moldura ao conflito, à disputa democrática. Ela fica mais elétrica e torna maior a possibilidade de se ter crises políticas. Existe uma crise importante agora. </p>

<p>CC: E qual a razão dela? <br />
WGS: Ela não tem uma única causa. Não se trata apenas da causa dos interessados mais evidentes que são os próprios políticos. Aqueles que, num contexto de crítica, têm aumentado o seu poder de barganha, o peso ponderado deles dentro das negociações. Para os políticos de oposição esse é um momento muito importante. Interessa a eles que a crise seja caracterizada como tal: uma crise. Ou seja, o governo está em débito em relação a uma agenda de questões e de perguntas. Por outro lado, é verdade também que se essa denúncia do mensalão tivesse sido feita durante o governo Fernando Henrique não teria provocado grandes marés... </p>

<p>CC: Por quê? <br />
WGS: Primeiro, porque é uma denúncia genérica. Há pagamentos mensais feitos pelo tesoureiro do partido do governo etc. etc. Isso se disse à vontade do Sérgio Motta em situação muito mais complicada, que foi o processo de aprovação da reeleição. E não aconteceu nada porque a oposição não tinha capacidade de fazer acontecer, não tinha grandes políticos querendo fazer acontecer e não tinha a imprensa querendo fazer acontecer. E, assim, não aconteceu. E isso envolvia uma figura chamada Sérgio Motta. O deputado Roberto Jefferson tem um currículo que, por si só, não transfere credibilidade e peso às declarações. Sobretudo em declarações dessa generalidade. Dessa forma, é claro que a questão não está nem no conteúdo da declaração nem em quem declarou. Mesmo que seja verdade, embora não seja fato provado ainda, não foi isso que moveu os interessados. Foi outra coisa. </p>

<p>CC: Ou seja, embora a denúncia tenha sido genérica e falte ao denunciante a necessária credibilidade, logo criou-se um terremoto... <br />
WGS: Portanto, há outras linhas de causalidade além do interesse do deputado Jefferson de se defender e de envolver outras pessoas. Outra causa da crise me parece ser o temor que o PSDB tem de Anthony Garotinho. O pavor do PSDB é que o segundo turno seja com o Garotinho e não com o candidato do PSDB. A transformação da ética na política como divisor de águas, entre maioria e minoria no País, se bem-sucedido, derrota Garotinho. Entretanto, se não for, o eventual decréscimo eleitoral da situação cai no colo de Garotinho. Independentemente de Garotinho, há interesse de o PSDB macular a imagem do Lula. Desde janeiro de 2003 temos tido sucessivas rodadas de denúncias nos jornais acompanhadas de uma pesquisa... </p>

<p>CC: Uma tentativa de linchamento político? <br />
WGS: Não, não chega a isso. São manobras identificáveis. Há sempre um caso: Waldomiro Diniz, a eleição para a presidência da Câmara, o cadastramento no Fome Zero. As pesquisas feitas na seqüência indicavam que, no entanto, a imagem do presidente não era afetada. Isso tem sido desesperador para a grande imprensa... </p>

<p>CC: Qual o interesse dela? <br />
WGS: A democracia em países em desenvolvimento só fica efetivamente consolidada quando dispensar a imprensa, quando o que a imprensa quiser for irrelevante para a estabilidade do governo. A imprensa é um ator importante no que diz respeito à estabilidade do governo em países em desenvolvimento, como o Brasil. </p>

<p>CC: O senhor se refere à capacidade de formar marolas? <br />
WGS: Marolas, não. Grandes furacões. A grande imprensa levou Getúlio ao suicídio com base em nada; quase impediu Juscelino de tomar posse, com base em nada; levou Jânio à renúncia, aproveitando-se da maluquice dele, com base em nada; a tentativa de impedir a posse de Goulart com base em nada. A grande imprensa em países em desenvolvimento é a grande porca das instituições, a grande emporcalhada. </p>

<p>CC: A imprensa é assim ou ela está assim? <br />
WGS: A imprensa não é assim. Ela é assim num certo período dos países. Ela foi assim nos EUA, na Inglaterra, e não é mais. Isso não quer dizer que não haja a imprensa porca e, sim, que a grande imprensa deixou de ser porca. Não é o caso do Brasil. Isso é importante ficar registrado, porque na medida em que passa o tempo a gente esquece. Quando aconteceu em 1954 a gente deixou passar, assim como deixou passar em 1961. Então, não pode deixar passar, não. A imprensa levou Getúlio Vargas ao suicídio com inverdades e com fatos falsos, construídos. E promoveu um golpe de Estado em 1964. Não há como negar isso. Essa é uma outra linha de causalidade. Há dois anos e meio a imprensa tentava botar Lula debaixo de sua pauta. Conseguiu agora. </p>

<p>CC: Não é o papel da imprensa tomar conta, fiscalizar? <br />
WGS: É. Tomar conta, sim. Desestabilizar, não. A estabilidade não pode depender de militar, nem da Igreja, nem da imprensa. </p>

<p>CC: As Forças Armadas... <br />
WGS: Duvido que elas voltem a ter a importância que tiveram. Quando se pegava um tenente roubando e gritava “ladrão”, ele dizia: “Está ofendendo as Forças Armadas”. E os generais concordavam. Hoje acontece com jornalista. O jornalista faz uma barbaridade e alguém diz: “Ele fez uma infâmia”. Os grandes jornais alertam: “A liberdade de imprensa está sob ameaça”. É a maior corporação existente hoje no País com um poder infernal. </p>

<p>CC: Essas linhas de causalidade explicam a crise? <br />
WGS: Elas não são responsáveis pelo que acabou sendo a crise. A dimensão da crise não estava na cabeça de ninguém. Assim como ninguém sabe o que vai acontecer. Foi por isso que começaram a puxar os freios. </p>

<p>CC: O comportamento da oposição ficou na linha demarcatória das ações políticas? Alguém, em sua opinião, cruzou a linha? <br />
WGS: Depende do que se chama de cruzar a linha. Quando se começa a dizer, como foi dito, que há iminência de crise institucional está cruzando a linha... </p>

<p>CC: Quem disse isso foi o ex-presidente Fernando Henrique. <br />
WGS: Vamos reler o último parágrafo do artigo de 5 de julho passado, que ele escreveu em O Globo: “Se nada for feito, caberá a quem venha a ser o candidato do PSDB nas próximas eleições apresentar ao eleitorado um programa muito claro com reformas eleitorais, partidárias e da máquina pública. Caberá anunciar de antemão a disposição, se eleito, de recorrer aos mecanismos de consulta à população para validar essas reformas e mesmo, se entender necessário, solicitar ao Congresso uma lei delegada para fazê-las”. Se anunciada por Lula, a proposta seria tomada como fato determinante para criar uma CPI. Ameaça de chavismo. </p>

<p>CC: Por que o PSDB teria chegado a esse ponto? <br />
WGS: Pelo pavor do sucesso do governo Lula. O PSDB sabe que com mais dois anos de governo, como vinha até agora, ele levaria uma surra em 2006. </p>

<p>CC: Interessa a eles chegar ao impeachment? <br />
WGS: Não acredito que eles queiram promover o impedimento de Lula. Mas, se houver a possibilidade, não recuarão. Se a chance aparecer, os tucanos vão apoiar esse golpe branco, porque o governo está sendo bem-sucedido. Se fosse um governo inepto, como se apregoa, o PSDB deixaria Lula em paz e o derrotaria facilmente no ano que vem. </p>

<p>CC: Mas o PSDB não inventou o episódio... <br />
WGS: Caiu na mão do partido esse episódio de corrupção nos Correios. </p>

<p>CC: Declarações como a do governador Aécio Neves – de que Lula não é Collor – seriam uma pitada de bom senso? <br />
WGS: É difícil querer dizer que não está interessado no mesmo movimento que levou ao impedimento de Collor, porque o governo Lula é diferente sem, ao mesmo tempo, chamar a atenção para o fato de que podem ser iguais. Quem foi que disse que era igual? A comparação pode estar na cabeça do formulador da frase. </p>

<p>CC: Frase sibilina. <br />
WGS: Muito sibilina. O PSDB, sobretudo o tucanato paulista, está numa posição de oposição provocadora. Não diria mais que está na posição golpista que já teve e pode voltar a ela. </p>

<p>CC: Estaria havendo transferência de um confronto paulista para o plano nacional? <br />
WGS: Uma parte do imbróglio, do lado tucano, tem a ver com a disputa interna – quem vai ser o candidato – que implica, entre outras coisas, bloquear Aécio Neves e Jereissati. Isso obriga, também, a fazer campanha contra o PT paulista. O PT nacional é o PT paulista levando para o plano federal desavenças locais, de São Paulo. </p>

<p>CC: Isso tem reflexos no governo Lula? <br />
WGS: É uma parte da desarticulação do governo que vem se revelando de uma incompetência na política cotidiana, que não é incompetência normal do PT. Isso só pode ser explicado porque estão fazendo política de São Paulo no Planalto. Não há uma defesa organizada, concatenada em torno das realizações do governo Lula e é por isso que boa parte delas ninguém sabe. Há uma busca desesperada de consenso no governo que parece o processo decisório do PT. </p>

<p>CC: A quem caberia arbitrar para acelerar as decisões? <br />
WGS: Estamos falando da falta de um articulador. No caso, falta o presidente Lula. Ele está exercendo mal o seu papel de presidente. Ele tem o mandato. Não pode levar esse tempo que levou para aparecer com um discurso pífio. Foi o pior discurso político que vi o Lula fazer. </p>

<p>CC: O que houve de tão grave na sua opinião? <br />
WGS: Ele concedeu tudo à oposição. Jogou fora o discurso de posse que foi magistral. Ele disse, ao assumir, que o combate à fome e à miséria seriam a meta ordenadora do governo. Ao discursar no fórum global anticorrupção, ele disse que os países emergentes continuariam pobres enquanto não acabassem com a corrupção. Além de oportunismo, isso é uma tolice. Objetivamente, o presidente disse o seguinte: enquanto for pobre haverá corrupção. Ele concedeu o discurso à pauta da oposição. E falou que a corrupção só acabaria com uma reforma política. Ou seja, Fernando Henrique pautou o discurso de Lula.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/sociologo_ve_te.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/sociologo_ve_te.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Thu, 16 Jun 2005 09:18:58 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>algumas questões “para além do mundo Líquido”</title>
<description><![CDATA[<p><br />
1)Onde reside, se ela existir, a radicalidade de um blog como opção aos meios de comunicação cotidianos, quase que totalmente mercantilizados?<br />
2)Qual a ruptura (ou rupturas) que o blog traz ou pode trazer a sociedade do consumo?<br />
3)Os blogs não serão assimilados pelo mercado, virando apenas mais produto de consumo igual a qualquer outro?<br />
4)Quais possibilidades concretas de subversão (e não apenas contestação) que podem nascer do uso de um blog?<br />
5)Um blog é: um produto (mercadoria) ou um produtor (de potência, em sentido deleuziano)?<br />
6)Elitista ou democrático?</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/algumas_questoe.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/algumas_questoe.html</guid>
<category>Sub-verÇões</category>
<pubDate>Sat, 11 Jun 2005 19:19:52 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Individualismo Metodológico e Escolha Racional</title>
<description><![CDATA[<p>Linhas gerais em Jon Elster e Adam Przeworski</p>

<p>       Pode-se dizer que a linha central da crítica realizada pelos partidários dessas duas metodologias direcionasse no sentido de apontar os limites do holismo metodológico (a preponderância do todo ou da coletividade (as macroestruturas), sobre a parte ou a individualidade) e substituí-lo por uma visão que se volta sobre os micro-fundamentos sociais ou, o que dá no mesmo, sobre os pequenos grupos, ou mesmo o indivíduo como origem e fundamento da existência social. Aparece então, em primeiro plano, a necessidade da explicação se basear na pesquisa e compreensão da racionalidade ou do sentido que os indivíduos dão as relações e a ação social. Segundo Adam Przeworski: todas as teorias que explicam o funcionamento da sociedade sejam elas oriundas de Marx, Durkheim ou Parsons, necessitam ser submetidas ao mesmo desafio: “fornecer os micro-fundamentos para fenômenos sociais e. especificamente, basear toda a teoria da sociedade nas ações dos indivíduos concebidas como orientadas para a realização de objetivos racionais”.<br />
   <br />
Mesmo que a ação racional seja um elemento fundamental, o individualismo metodológico não é, em principio, segundo Jon Elster, redutível ao primeiro. Em tese, pode-se imaginar a construção de micro-fundamentos tendo como referencial de análise a ação individual, mas não necessariamente, a ação racional. Elster dá um exemplo: “na frase ‘Os Estados Unidos temem a União Soviética’, o primeiro substantivo coletivo é objeto de redução, mas não o segundo, porque aquilo que os norte-americanos individualmente considerados temem pode muito bem ser uma nebulosa entidade coletiva (escrito em 1986)”.</p>

<p>Segundo Elster, a função do individualismo metodológico é a de ajudar a “abrir a caixa preta” e mostrar como funcionam as suas “engrenagens internas”. Isto é, a dedução a partir das macro-estruturas não é válida, pois os mecanismos causais da ação social ficam ocultos e o nível de explicação do(s) motivo(s) da ocorrência de determinado(s) evento(s) fica bastante reduzido. </p>

<p>   Elster está aqui indo claramente contra duas linhas de pensamento que representam em sua origem, o que ele chama de formas de interpretação funcionalista. Uma delas é o pensamento marxista clássico e a outra, a teoria sociológica durkheiminiana. No primeiro caso, a crítica dirige-se a uma visão de sociedade no qual os agentes (capitalistas e proletários) são meros predicados do verdadeiro sujeito do processo histórico-social; que seria “O Capital”. Trabalhadores e capitalistas são assim meros suportes ou portadores (Traggër) das relações sociais, isto é, “não são agentes no sentido pleno do termo, na medida que não escolhem livre e ativamente”. No segundo caso, a critica é a uma visão que reifica a análise social (Durkheim: “todo fato social deve ser tratado como coisa”) e realiza um tipo de análise tendo como ponto de referência, uma analogia com os organismos naturais examinados pela biologia moderna. Elster diz que esse tipo de método é bastante frutífero na biologia, mas, não nas ciências sociais, pois nesta, existem sujeito capazes de tomada de decisão que acabam sendo subsumidos aos imperativos funcionais do organismo social. Assim, a caixa preta continua fechada.     <br />
   <br />
Przeworski, apesar de concordar essas colações de Elster, no que se refere ao individualismo metodológico, salienta ainda mais o componente da ação racional no processo de tomada de decisão. A aproximação com os pressupostos da teoria econômica neoclássica, ou, da chamada “revolução marginalista” torna-se então uma trajetória natural e necessária, merecendo, por parte de Przeworski, alguns elogios: “a força da economia neoclássica reside em ser capaz de separar a análise da ação num momento determinante de tudo aquilo que criou as condições sob as quais essa ação ocorre” e ainda, referindo-se ao individualismo metodológico: “a força do individualismo metodológica é metodológica: reside na disposição dos economistas neoclássicos de ignorar todas as complicações que impeçam a obtenção de respostas a questões centrais”. Fica claro que o reducionismo para fins de pesquisa (entendido aqui como um recorte no tempo e no espaço), torna-se um expediente legitimo por parte do pesquisador segundo os dois autores em discussão. </p>

<p>A Teoria dos Jogos</p>

<p>   Outro ponto importante é o papel desempenhado pela teoria dos jogos, ou, como prefere Elster, “a teoria das decisões interdependentes”. Nessa teoria, o papel desempenhado pelo nível de informação acumulada ou disponível para o “jogador” é fundamental, pois é a partir deste referencial que ele pode tomar suas decisões e optar pelos caminhos que julgar mais convenientes ou que apresentarem – para não fugirmos da gramática preferencial dos autores em questão – a melhor maximização dos resultados desejados.  </p>

<p>   A teoria dos jogos em Elster parece desempenhar um papel fundamental na medida em que vêm a fundamentar a sua teoria da ideologia. O conceito de ideologia, a luz da teoria dos jogos ou das decisões interdependentes, possui sua essência e fundamento no nível e na qualidade da informação disponível ao jogador. A idéia de falsa consciência passa a ser entendida, ou como insuficiência de informação para os atores sociais ou como distorção dessa mesma informação, o que, num caso ou noutro, leva os jogadores a realizarem jogadas ou lances equivocados. </p>

<p>   Elster descreve a sua profissão de fé na teoria dos jogos da seguinte maneira: “Estou entre aqueles que acreditam que a teoria dos jogos oferece um quadro de referências conceitualmente unificador para a maior parte das ciências sociais”. Para fundamentar sua conclusão, ele nos explica os três tipos de interdependência que atravessam a vida em sociedade: “em primeiro lugar, o fato de que o ganho de cada um depende do ganho de todos, em função do altruísmo, da inveja e assim por diante; em segundo lugar, o ganho de cada um depende das escolhas de todos, através da causalidade social geral; em terceiro, a escolha de cada um depende da escolha de todos, através da antecipação do calculo estratégico”.</p>

<p>   Przeworski abraça a teoria dos jogos a partir do clássico “dilema do carona”, no qual, tendo como exemplo uma situação de greve, procurasse compreender como funcionaria o calculo estratégico por parte de um participante a fim de maximizar suas possibilidades de ganho. Para tanto, tendo a escolha racional como parâmetro, o ator buscaria obter os ganhos da mobilização (reposição salarial, por exemplo.), mas, igualmente, procuraria correr o mínimo de riscos possíveis, mesmo que isso significasse não participar da mobilização. O jogador assim ganharia duplamente, pois não correria o risco de perder o emprego e ainda teria o ganho em seu salário, em caso de vitória da mobilização grevista, por exemplo, (fiz uma explicação ultra-simplista apenas para fins de compreensão mínima (N.do _U1)!!!). </p>

<p>   O dilema se dá na medida em que, se todos ou muitos trabalhadores optarem por este caminho, a própria greve estaria automaticamente condenada ao fracasso. Como solucionar este problema, nem Przeworski nem Elster parecem conseguir atingir a resposta sem que com isso precisem, necessariamente, apelar a pressupostos “extra” ou “além” teoria dos jogos ou escolha racional. <br />
  <br />
Algumas Qualidades</p>

<p>    Para concluir esta breve apresentação dos princípios básicos do individualismo metodológico e da escolha racional, gostaria de salientar alguns pontos que acredito positivos nestas duas metodologias: Primeiro, é salutar o exercício de (re)colocar o sujeito como centro de investigação no processo de pesquisa, indo, nesse sentido, frontalmente contra as teorias que visualizam o sujeito como mero resultado da coletividade (Durkheim) ou, pior ainda, negam a centralidade deste no processo social (“O homem morreu” ou, “não existe nada além do texto”). “Em segundo lugar, a exigência de pesquisa empírica nos parece um caminho fundamental para descermos das “viagens metafísicas” sobre a ação social (o Lukács de História e Consciência de Classe, por exemplo)” e voltarmos a praticar uma descrição minimante próxima da realidade ou do que se entenda por isso (como disse o sociólogo Achim Schreder: “a pesquisa social empírica é a higiene da dialética”).</p>

<p>“Algumas” Considerações Críticas:</p>

<p>   Apesar de apresentar alguns pontos que considero positivos, como me referi acima, essas duas linhas metodológicas apresentam, segundo minha compreensão, alguns problemas graves. Em primeiro lugar, a própria diferenciação entre escolha racional e individualismo metodológico nos parece problemática, porque, se por um lado fica bastante claro o que os autores consideram racional, não fica igualmente claro o que é e como funciona o componente “irracional” na tomada de decisão. Não nos parece possível sustentar uma teoria ideológica, como quer Elster, apenas no nível ou na qualidade de informação disponível ao jogador. Não nego a importância desta colocação, mas acuso a sua insuficiência. Parece-me que a fronteira que delimita as diferenças entre escolha racional e individualismo metodológico não são bem delimitadas, e mais do que isso correm o sério risco de se tornarem confusas (se já não são!). </p>

<p>   Segundo, a idéia de um jogador plenamente consciente da sua capacidade de tomar decisões, também não parece sustentável na medida em que a idéia de um pensamento racional e de sua ação prática está excessivamente baseada num conceito de razão (e conseqüentemente, tomada ou não de decisão estratégica) puramente instrumental, isto é, as teorias dos autores em questão, me parecem excessivamente pobres em reflexividade social e individual (ausência de uma análise sobre o impacto do “poder simbólico” na ação social e dos julgamentos estéticos nas decisões individuais), ou, dito de outra forma, fracas em capacidade crítica, autocrítica e na necessária capacidade de contextualização histórico-social (ausência de boas análises de conjuntura e estrutura (ver Gramsci)), e esse, nos parece um “pedágio” excessivamente “caro” a ser “pago” para que se possa utilizar o instrumental a-histórico tão elogiado pelos autores, quase todo oriundo da economia neoclássica.</p>

<p>   A terceira crítica, é sobre o que os autores entendem por sujeito. Diria que parece que eles confundem (ou reduzem propositalmente!), o conceito de sujeito à idéia de individualidade. O primeiro não pode ser reduzido ao segundo por que este é desenvolvido e se estrutura através do convívio social (amigos, escola, trabalho, família, etc.) isto é, sua ontologia é muito mais complexa do que a idéia de uma individualidade maximizadora de ganhos na medida em que as heranças culturais, educacionais e familiares, ou, num vocabulário a lá Bourdieu, os capitais simbólicos, intelectuais e culturais que construímos e assimilamos no decorrer da vida e que se manifestam através do “habitus”, não nos estão de plena consciência no momento de qualquer processo decisório. Como disse o comentário crítico de Stephen Eric Bronner: “comete-se o engano filosófico um tanto elementar de identificar a entidade formalmente distinta ao sujeito, e a individuação à individualidade que, de fato, define a singularidade e a experiência de um dado agente ou dada pessoa (Bronner, 1997)”. Se não somos sempre enganados, igualmente não somos sempre sujeitos maximizadores das possibilidades de ganho. Além disso, em alguns momentos, não só não temos a maioria das informações necessárias para tomarmos uma decisão via calculo racional, quanto o próprio calculo racional está ausente ou é secundário. </p>

<p>   A quarta e ultima crítica que eu farei aqui, referisse a estranha opção pela economia neoclássica e sua teoria dos ganhos marginais, em detrimento da sociologia compreensiva de Max Weber. </p>

<p>   Se o objetivo era privilegiar o agente e não a estrutura, acredito então que as noções de ação racional “tipo ideais” weberíanas (ação racional com relação a fins e a valores) preenchem com maior riqueza a necessidade analítica do pesquisador. Em Weber o sujeito não fica subsumido a uma lógica instrumental que a tudo abarca com sua “mão invisível” (e aqui verdadeiramente um sujeito, dado que Weber ainda nos disponibiliza mais duas concepções de ação tipo ideais não racionais-instrumentais, baseadas na cultura e na esfera emocional-simbólica do individuo.). Nesse sentido, no que se refere ao papel do individuo na sociedade, nos parece que Elster e Przeworski ao optarem pelo referencial teórico que optaram, e por colocarem a sociologia compreensiva de Weber em segundo (ou terceiro?) plano dão um passo atrás na compreensão do papel que o agente desempenha na sociedade, regredindo, ao que poderíamos chamar de uma forma um tanto quanto caricata, de um pensamento sociológico “pré-weberiano”.</p>

<p>   Poderíamos ainda realizar uma ultima crítica a partir da teoria econômica política marxista a fim de tentar refutar algumas das bases epistemológicas sobre a qual se assentam Elster e Przeworski. Optarei aqui por não realizar tal crítica porque ela excederia em muito os propósitos deste texto. Mas julgo ser possível (e necessário) um confronto da teoria do valor trabalho, como Marx a concebeu, em oposição aos pressupostos do ganho marginal da economia neoclássica e sua utilização na sociologia e na ciência política (noutro momento, dedicarei um outro texto somente a isso).<br />
   </p>

<p> Uma Conclusão</p>

<p>   Para concluir, vou apenas enfatizar o que já havia argumentado acima, a fim de não cair em contradição ou, abrir novas linhas de discussão neste momento do texto.<br />
 <br />
  Primeiro, as pesquisas de Elster e Przeworski, ao recuperarem a centralidade ontológica do sujeito (ou individuo, se assim preferirem), prestam um serviço importante para que a análise sociológica pudesse voltar a refletir sobre o papel deste na sociedade e não o reduzisse a mera expressão mecânica da estrutura social. E segundo, o projeto dos autores fragiliza-se ao aproximar-se em demasia de uma epistemologia excessivamente instrumentalista, subjetivista, a-historicizante e neopositivista, como é caso da economia neoclássica (ver Karl Menger e Karl Popper, por exemplo).</p>

<p>   Portanto, não necessariamente o projeto dos dois autores em questão é mal sucedido, apenas nos parece equivocado em alguns dos seus fundamentos, equívocos esses que, se por um lado, não comprometem como um todo esse mesmo projeto, por outro, o afetam de forma excessivamente danosa para fins de generalização. Sua utilização fica restrita assim, quando for possível utilizá-lo, apenas para construção de teorias de médio alcance, mas jamais para uma teoria geral da ação coletiva (o que está, parece-me, de acordo com o que os próprios autores professam a respeito dos objetivos de suas teorias).</p>

<p><br />
_U1</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/individualismo.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/individualismo.html</guid>
<category>Marxismo</category>
<pubDate>Sat, 11 Jun 2005 19:15:29 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>de novo porque é genial</title>
<description><![CDATA[<p>Não foi Deus que inventou o Homem; foi o Homem que inventou Deus.<br />
Ao negar a existência de Deus, eu nego a negação do Homem.</p>

<p>Ludwig Feaurbach</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/de_novo_porque.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/schizoblogg/arquivos/2005/06/de_novo_porque.html</guid>
<category>Marxismo</category>
<pubDate>Wed, 08 Jun 2005 15:07:15 -0300</pubDate>
</item>


</channel>
</rss>